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Um segredo ronda o STF: o caso do misterioso inquérito 2474

25 de setembro de 2013 | 17:54

Um inquérito que corre em sigilo no Supremo Tribunal Federal há seis anos pode trazer novos capítulos ao julgamento do mensalão.

As especulações em torno desse inquérito, o 2474, são muito grandes. Não se sabe ainda se muitas delas não passam exatamente disso, de especulações. Mas há informações com base real muito relevantes.

Vamos aos fatos:

- O inquérito 2474 foi aberto em 2007 no STF pelo ministro Joaquim Barbosa. Sob segredo absoluto. Nem os outros ministros tiveram acesso ao material.

- Em 2011, alguns réus pediram para ter acesso ao inquérito 2474 porque provas produzidas nesse processo serviriam para o julgamento do mensalão.

- Barbosa, então, pediu à Procuradoria Geral da República que informasse se réus do mensalão eram investigados nesse inquérito (Fonte: Folha de S. Paulo).

- Após a consulta, o acesso ao inquérito foi negado por Barbosa, que já era relator da ação do mensalão.

Como se sabe que inquérito tem ligações com o mensalão?

- Em 2005 a Polícia Federal abriu investigações sobre o mensalão.

- Mas a Procuradoria Geral da República denunciou os réus ao STF antes da conclusão dessas investigações.

- Quando a investigação da PF ficou pronta, a Procuradoria pediu que ela fosse incluída em outro inquérito, e não no que resultou no julgamento do mensalão. Barbosa atendeu o pedido.

- Nascia, assim, em 2007, o sigiloso inquérito 2474

E o que contém o inquérito 2474?

- Do pouco que se sabe, o inquérito contém um laudo mostrando que o responsável no Banco do Brasil por liberar verbas da Visanet não seria Henrique Pizzolato, em sim um colegiado de gerentes. Pizzolato foi condenado no julgamento do mensalão (Leia também em matéria da Folha).

- Esse laudo só foi incluído no inquérito do mensalão depois que este virou ação penal. Ou seja, após a denúncia ter sido aceita.

- Só se soube da inclusão desse laudo no fim do ano passado.

Ou seja, a prova de que o inquérito sigiloso 2474 tem a ver com o julgamento do mensalão é exatamente este laudo da Polícia Federal.

E quais são os próximos passos?

- O inquérito ainda continua sob segredo de justiça.

- Em agosto, Barbosa passou a relatoria para o ministro Luís Roberto Barroso, que se declarou impedido de ficar com o material por “foro íntimo”. Isso geralmente acontece quando ministros já atuaram para alguma das partes envolvidas.

- No início deste mês, a relatoria do inquérito ficou com Ricardo Lewandowski, que ainda não se pronunciou sobre o assunto.


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